O terceiro turno está nas ruas
Este segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, que começa em
janeiro próximo, certamente será o governo de maior enfrentamento de todas as
administrações petistas no governo federal, desde a eleição de Luiz Inácio Lula
da Silva, em 2002.
A disputa eleitoral para presidência da República, neste ano,
deixou evidente o preconceito social que nutria a candidatura conservadora de
Aécio Neves. Os discursos neoliberais foram marcados pelo ódio de classe. O
povo nordestino – que deu expressiva vitória à Dilma – está sendo perseguido
nas ruas e nas redes sociais. Pior: manifestações públicas realizadas após as
eleições têm servido de palco para a direita pedir a volta da ditadura militar!
Vale lembrar que, em 5 de outubro, quando foram escolhidos os
novos deputados e senadores, a bancada conservadora cresceu no Congresso
Nacional. O cenário que se desenha desde já é que propostas do interesse da
classe trabalhadora, dos
camponeses, dos estudantes, das mulheres, das religiões de matrizes africanas,
da comunidade LGBT, da população negra terão maior dificuldade para avançar no
novo Congresso. No plano estadual, a nova composição da Assembleia Legislativa
do Estado do Rio de Janeiro, também em sua maioria conservadora, obrigará os
movimentos sociais a pressionarem o Parlamento para atender a pauta popular.
Pezão tem maioria na Alerj, mas seus compromissos mesmo são com os empreiteiros
e outros amigos de Sérgio Cabral, ex-governador do Estado.
Fazer a
reforma da mídia
Por outro lado, a grande mídia não deixou dúvida de que é, de
fato, o maior partido de oposição, tentando, o tempo todo, desqualificar as
ações do governo Dilma. A mídia comercial agora se prepara para combater a
reforma da estrutura dos meios de comunicação social do país, uma antiga
reivindicação da sociedade para estabelecer novas regras para o setor,
quebrando o monopólio privado da comunicação e democratizando a produção da
mídia no país.
Essa, com certeza, promete ser uma briga feia, tendo na oposição
ao governo Dilma e aos movimentos sociais o oligopólio midiático, que, ao longo
de décadas, vem se enriquecendo com o dinheiro público e prestando um
desserviço à sociedade.
O PT também precisa fazer o seu trabalho de casa no que diz
respeito à Comunicação Social. As nossas formas de comunicação com a militância
e com a sociedade de modo geral estão distantes de ser instrumentos de
mobilização para as diversas lutas sociais que estão sendo travadas no Estado do
Rio de Janeiro.
Ainda sobre a questão da Comunicação Social, em 2009, durante o
segundo mandato de Lula, foi realizada a 1ª Conferência Nacional de Comunicação
– Confecom -. De lá saíram cerca de 2 mil propostas de mudanças da estrutura da
mídia, seja nos planos municipais, estaduais e federal. Porém, efetivamente, nenhuma
medida sugerida foi implementada.
É preciso
conversar mais nas ruas
Participando do governo federal nos últimos 12 anos e iniciando
uma gestão de mais 4 anos, o PT precisa ampliar sua atuação nas ruas, nos
movimentos sociais. Precisa também tirar o salto alto de uma parcela da
companheirada e conversar mais com as pessoas simples, que sentem no dia a dia
as carências da saúde pública, dos transportes, da falta de moradia, de
segurança, de igualdade social.
Sem diálogo direto com a população, para fazer o contraponto da
grande mídia e do patrão, será difícil ter as camadas populares defendendo as
reformas estruturantes necessárias: “O que eu tenho a ver com essa reforma da
mídia, do sistema político, reforma agrária, urbana, tributária?”, pergunta na rua
a população. E a grande mídia está aí para passar uma visão distorcida, do
interesse do empresariado, dos latifundiários, da direita.
É preciso dialogar mais sobre a reforma política que nós
queremos. Discutir porque defendemos o financiamento público de campanha, como
forma de coibir a influência desleal dos grupos privados nas eleições. Garantir
uma participação mais efetiva das mulheres na política.
Militância
suprapartidária garantiu a vitória de Dilma
Temos que colocar o dedo na ferida: a vitória de Dilma foi fruto
do engajamento dos movimentos sociais na reta final de campanha, não
necessariamente foi uma vitória isolada do PT.
Nas semanas que antecederam o segundo turno das eleições
presidenciais, as ruas de todo o Brasil foram ocupadas por militantes sociais
de vários matizes. Estavam nas ruas combatendo as ameaças de volta de um
governo neoliberal ativistas dos partidos da coligação da Dilma, assim como
militantes do PSOL, dissidentes do PSB, gente do PCO, anarquistas e cidadãos independentes,
sem qualquer vinculação partidária. Eles deixaram nas ruas uma mensagem direta:
“Não queremos a volta do neoliberalismo e, por isso, queremos a reeleição da
Dilma”.
Foi a vitória de uma militância suprapartidária, muitos
afastados há anos das manifestações, outros chegando agora na luta. Foi essa
conjunção de forças sociais que manteve Dilma na presidência da República. E
esse conjunto de forças sociais quer efetivas mudanças, quer melhorar a vida da
maioria da população, sobretudo daqueles que já sofreram na carne como é
perverso um governo neoliberal, direitoso.
Unir as
esquerdas na sociedade
É tarefa do PT liderar as lutas sociais, unir as esquerdas nos
diferentes movimentos reivindicatórios da sociedade que almejam um governo de
realizações democráticas e populares. Neste sentido, é preciso investir na
formação política da militância, principalmente a juventude. Investir também,
de forma prioritária, na militância dos movimentos de mulheres, dos negros, do
movimento sindical, da comunidade LGBT, que são os mais perseguidos pelos
conservadores.
O PT, urgentemente, precisa reciclar
os seus quadros. Há de se reconhecer que várias lideranças partidárias,
sindicais e parlamentares têm que ser renovadas politicamente. Neste sentido, o
partido tem a responsabilidade de promover a formação política permanente da
militância, sem perder a nossa identidade ideológica.
Com o apoio dos movimentos sociais, o
PT tem um papel importante a desempenhar dentro do governo Dilma, disputando e
conquistando a hegemonia de nossos projetos internamente na administração
federal. Não se pode esquecer que grande parte da base aliada possui um perfil
ideológico divergente do Partido dos Trabalhadores, tentando levar o governo
para uma posição recuada, que possa comprometer os projetos democráticos e
populares.
Não há como negar que essa enxurrada de denúncias sobre a
prática de corrupção respinga em todos os setores políticos, de forma
indiscriminada. Vem desde o Brasil Colônia, passando pelo Brasil Império e
reproduzido no Brasil República. A corrupção também foi marca dos períodos
ditatoriais do Estado Novo e da Ditadura Militar. Foi acentuada nos governos
Sarney, Collor, Itamar Franco e FHC. A população tinha a impressão de que o PT
chegando ao poder promoveria um corte na onda corrupta. É fato que os nossos
governos viabilizaram uma legislação de combate à corrupção, mas a prática
continuou. O partido, à luz do sistema partidário do país, foi nivelado por
baixo. É preciso voltar a fazer a diferença no plano da ética política, doa a quem
doer.
O PT precisa viabilizar um Brasil melhor pela esquerda, o que
vai contribuir para mudanças substanciais na América Latina, nos países
periféricos e, por extensão, em todo o mundo.
Assinam:
Um Partido para Todos
Vertente Sindical Petista
Dezembro 2014
Não concordo que o compromisso do Pezão seja com as empreiteiras e com Cabral, ele está fazendo um bom trabalho com a população. Começou muito bem a renovação do seu mandato.
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