sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O terceiro turno está nas ruas



O terceiro turno está nas ruas
Este segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, que começa em janeiro próximo, certamente será o governo de maior enfrentamento de todas as administrações petistas no governo federal, desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.  
A disputa eleitoral para presidência da República, neste ano, deixou evidente o preconceito social que nutria a candidatura conservadora de Aécio Neves. Os discursos neoliberais foram marcados pelo ódio de classe. O povo nordestino – que deu expressiva vitória à Dilma – está sendo perseguido nas ruas e nas redes sociais. Pior: manifestações públicas realizadas após as eleições têm servido de palco para a direita pedir a volta da ditadura militar!
Vale lembrar que, em 5 de outubro, quando foram escolhidos os novos deputados e senadores, a bancada conservadora cresceu no Congresso Nacional. O cenário que se desenha desde já é que propostas do interesse da classe trabalhadora, dos camponeses, dos estudantes, das mulheres, das religiões de matrizes africanas, da comunidade LGBT, da população negra terão maior dificuldade para avançar no novo Congresso. No plano estadual, a nova composição da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, também em sua maioria conservadora, obrigará os movimentos sociais a pressionarem o Parlamento para atender a pauta popular. Pezão tem maioria na Alerj, mas seus compromissos mesmo são com os empreiteiros e outros amigos de Sérgio Cabral, ex-governador do Estado.
Fazer a reforma da mídia
Por outro lado, a grande mídia não deixou dúvida de que é, de fato, o maior partido de oposição, tentando, o tempo todo, desqualificar as ações do governo Dilma. A mídia comercial agora se prepara para combater a reforma da estrutura dos meios de comunicação social do país, uma antiga reivindicação da sociedade para estabelecer novas regras para o setor, quebrando o monopólio privado da comunicação e democratizando a produção da mídia no país.
Essa, com certeza, promete ser uma briga feia, tendo na oposição ao governo Dilma e aos movimentos sociais o oligopólio midiático, que, ao longo de décadas, vem se enriquecendo com o dinheiro público e prestando um desserviço à sociedade.
O PT também precisa fazer o seu trabalho de casa no que diz respeito à Comunicação Social. As nossas formas de comunicação com a militância e com a sociedade de modo geral estão distantes de ser instrumentos de mobilização para as diversas lutas sociais que estão sendo travadas no Estado do Rio de Janeiro.
Ainda sobre a questão da Comunicação Social, em 2009, durante o segundo mandato de Lula, foi realizada a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – Confecom -. De lá saíram cerca de 2 mil propostas de mudanças da estrutura da mídia, seja nos planos municipais, estaduais e federal. Porém, efetivamente, nenhuma medida sugerida foi implementada.
É preciso conversar mais nas ruas
Participando do governo federal nos últimos 12 anos e iniciando uma gestão de mais 4 anos, o PT precisa ampliar sua atuação nas ruas, nos movimentos sociais. Precisa também tirar o salto alto de uma parcela da companheirada e conversar mais com as pessoas simples, que sentem no dia a dia as carências da saúde pública, dos transportes, da falta de moradia, de segurança, de igualdade social.
Sem diálogo direto com a população, para fazer o contraponto da grande mídia e do patrão, será difícil ter as camadas populares defendendo as reformas estruturantes necessárias: “O que eu tenho a ver com essa reforma da mídia, do sistema político, reforma agrária, urbana, tributária?”, pergunta na rua a população. E a grande mídia está aí para passar uma visão distorcida, do interesse do empresariado, dos latifundiários, da direita.
É preciso dialogar mais sobre a reforma política que nós queremos. Discutir porque defendemos o financiamento público de campanha, como forma de coibir a influência desleal dos grupos privados nas eleições. Garantir uma participação mais efetiva das mulheres na política. 
Militância suprapartidária garantiu a vitória de Dilma
Temos que colocar o dedo na ferida: a vitória de Dilma foi fruto do engajamento dos movimentos sociais na reta final de campanha, não necessariamente foi uma vitória isolada do PT. 
Nas semanas que antecederam o segundo turno das eleições presidenciais, as ruas de todo o Brasil foram ocupadas por militantes sociais de vários matizes. Estavam nas ruas combatendo as ameaças de volta de um governo neoliberal ativistas dos partidos da coligação da Dilma, assim como militantes do PSOL, dissidentes do PSB, gente do PCO, anarquistas e cidadãos independentes, sem qualquer vinculação partidária. Eles deixaram nas ruas uma mensagem direta: “Não queremos a volta do neoliberalismo e, por isso, queremos a reeleição da Dilma”.
Foi a vitória de uma militância suprapartidária, muitos afastados há anos das manifestações, outros chegando agora na luta. Foi essa conjunção de forças sociais que manteve Dilma na presidência da República. E esse conjunto de forças sociais quer efetivas mudanças, quer melhorar a vida da maioria da população, sobretudo daqueles que já sofreram na carne como é perverso um governo neoliberal, direitoso.
Unir as esquerdas na sociedade
É tarefa do PT liderar as lutas sociais, unir as esquerdas nos diferentes movimentos reivindicatórios da sociedade que almejam um governo de realizações democráticas e populares. Neste sentido, é preciso investir na formação política da militância, principalmente a juventude. Investir também, de forma prioritária, na militância dos movimentos de mulheres, dos negros, do movimento sindical, da comunidade LGBT, que são os mais perseguidos pelos conservadores.
O PT, urgentemente, precisa reciclar os seus quadros. Há de se reconhecer que várias lideranças partidárias, sindicais e parlamentares têm que ser renovadas politicamente. Neste sentido, o partido tem a responsabilidade de promover a formação política permanente da militância, sem perder a nossa identidade ideológica.

Com o apoio dos movimentos sociais, o PT tem um papel importante a desempenhar dentro do governo Dilma, disputando e conquistando a hegemonia de nossos projetos internamente na administração federal. Não se pode esquecer que grande parte da base aliada possui um perfil ideológico divergente do Partido dos Trabalhadores, tentando levar o governo para uma posição recuada, que possa comprometer os projetos democráticos e populares.
Não há como negar que essa enxurrada de denúncias sobre a prática de corrupção respinga em todos os setores políticos, de forma indiscriminada. Vem desde o Brasil Colônia, passando pelo Brasil Império e reproduzido no Brasil República. A corrupção também foi marca dos períodos ditatoriais do Estado Novo e da Ditadura Militar. Foi acentuada nos governos Sarney, Collor, Itamar Franco e FHC. A população tinha a impressão de que o PT chegando ao poder promoveria um corte na onda corrupta. É fato que os nossos governos viabilizaram uma legislação de combate à corrupção, mas a prática continuou. O partido, à luz do sistema partidário do país, foi nivelado por baixo. É preciso voltar a fazer a diferença no plano da ética política, doa a quem doer. 
O PT precisa viabilizar um Brasil melhor pela esquerda, o que vai contribuir para mudanças substanciais na América Latina, nos países periféricos e, por extensão, em todo o mundo.

Assinam:
Um Partido para Todos
Vertente Sindical Petista

Dezembro 2014


Um comentário:

  1. Não concordo que o compromisso do Pezão seja com as empreiteiras e com Cabral, ele está fazendo um bom trabalho com a população. Começou muito bem a renovação do seu mandato.

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