quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Marina será pedra nos sapatos de Dilma e Aécio



Eventual entrada de Marina Silva na disputa eleitoral cria problemas tanto para o tucano Aécio Neves, como para a presidente Dilma Rousseff
A ex-senadora Marina Silva é a mais provável substituta de Campos na cabeça de chapa do PSB para a Presidência da República (divulgação)
Paulo Moreira Leite, em seu blog
A falta de cerimonia exibida por tantos colunistas conservadores para emplacar Marina Silva de qualquer maneira como candidata presidencial do PSB, menos de 24 horas depois da morte de Eduardo Campos, é um sintoma de vários elementos da campanha de 2014.
O maior é o receio de que Aécio Neves já tenha chegado a seu limite eleitoral – muito longe daquilo que seria necessário para dar a seus aliados esperanças reais de vencer o pleito – e é preciso encontrar um atalho para tentar derrotar Dilma. Desse ponto de vista, a oportunidade-Marina veio a calhar.
Ao contrário de Aécio Neves, herdeiro identificado com o mais tradicional conservadorismo brasileiro, onde até a denúncia de caráter moral se compromete com a descoberta da pista de aeroporto de R$ 14 milhões na fazenda do tio-avô, Marina consegue apresentar-se como candidata do “novo.”
Uma década de esforço permanente para criminalizar a política a pretexto de combater a corrupção não poderia deixar de produzir resultados. O mais visível deles, na campanha de 2013, é Marina.
Foi adotada por eleitores , especialmente jovens, sem partido político, para quem todo político é ladrão e só pensa em se arrumar. Basta reparar quais foram partidos que Marina frequentou e quais aliados cultivou ao longo de sua já longa existência política para ponderar o que há de verdade e de mentira nessa visão – mas este é assunto para um longo debate politico, destinado a proteger e recuperar nossos valores democráticos.
Basta registrar que sua assessoria é formada por economistas que transformaram a austeridade e o baixo crescimento num horizonte de busca permanente, usando o argumento ecológico como instrumento para impedir o crescimento econômico. Veja só. Ao contrário de conservadores tradicionais, partidários de políticas de austeridade por um período determinado, para derrubar a inflação, por exemplo, eles defendem o baixo crescimento como um valor em si. Sei que é meio difícil de acreditar, num país que tem tanto emprego para criar, tanta infraestrutura para desenvolver, tanta carência para sanar. Mas é verdade.
Referindo-se a preservação ambiental, o mais conhecido deles, Eduardo Gianetti da Fonseca, já foi capaz de dizer que é preciso combater o consumo excessivo…de carne e leite. Juro. Para ele, como ninguém respeita os padrões ambientais, é preciso encarecer o preço dessas proteínas para que o consumo seja reduzido. Está lá, no livro “O que os economistas pensam sobre sustentabilidade,” página 72 e seguintes:
“Comer um bife é uma extravagância do ponto de vista ambiental. O preço da carne vai ter de ser muito caro, o leite terá de ficar mais caro. Tudo o que tem impacto ambiental vai ter de embutir o custo real e não apenas monetário. Essa é a mudança decisiva.”
Aderindo a palavra de ordem do candidato vizinho de palanque, que falou em medidas impopulares, Gianetti admite na mesma entrevista: “O caminho que estou propondo é sofrido.”
Seu parceiro ideologico, André Lara Rezende, advoga ideias curiosas, próprias de quem admite uma postura de subordinação entre nações. Para ele “a questão Estado-Nação ficou ultrapassada.”
Depois de apontar para um futuro onde uma catástrofe ecológica capaz de reduzir a humanidade para 500 milhões de pessoas (hoje somos sete bilhões) já se tornou “irreversível” e “tangível”, Lara Rezende advoga o baixo crescimento, também, mas adverte: “crescimento material com Ecologia é difícil.”
É certo que uma candidata com essas ideias teria uma vida difícil no PSB, partido nascido à sombra de Miguel Arraes, o líder popular que resistiu a ditadura de forma exemplar, chegando a ser preso em Fernando de Noronha para não entregar o cargo que os generais de 64 pretendiam lhe tomar. Imagine esses cidadãos no comando da política econômica um partido que pede votos em sindicatos de trabalhadores e que, em 2014, conseguiu apoio de lideranças operárias de tradição, como Ubiraci Dantas de Oliveira, o veterano Bira, metalúrgico de São Paulo, que já era possível encontrar em comícios do 1o de maio no final dos anos 1970, e que hoje é dirigente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).
Ninguém deve ignorar que Marina e Eduardo Campos fizeram um casamento de conveniências quando a presidente da ex-Rede ficou sem partido. Campos lhe abriu uma legenda, na esperança de receber uma necessária transferência de votos. Marina conquistou um palanque, indispensável para quem corria o risco de ficar calada em 2014. Mostrando uma grande capacidade política para agregar apoios e somar contrários, Eduardo Campos transformou-se no grande ponto de equilíbrio político dentro do PSB. Era o protetor de Marina, o que pedia tolerância para suas opiniões e divergências. Querer usar a tragédia do Guarujá para alterar a natureza desse acordo é cometer uma violência. Numa comparação abusada, mas que faz sentido do ponto de vista das diferenças entre PSB e a Rede, o verdadeiro partido de Marina, seria igual a chamar Michel Temer para ser titular na chapa do PT — caso Dilma Rousseff fosse impedida de disputar a presidência por uma razão qualquer.
Um elemento a favor da escolha de Marina não chega a ser especialmente “novo,” como gostam de enxergar seus aliados. Espera-se que, com sua popularidade, ela ajude o partido a engordar a bancada de parlamentares, estaduais e federais. Isso costuma acontecer, mas nem sempre. Em 2010, num caso clínico de sucesso individual, Marina chegou perto de 20% dos votos como candidata presidencial mas não conseguiu acrescentar um único novo parlamentar à bancada do Partido Verde — desempenho que está na origem de boa parte de suas dificuldades para permanecer no PV.
Ainda assim, a popularidade de Marina provoca justo temor no PSDB, pois pode transformar-se numa candidatura capaz de atropelar Aécio e jogá-lo para terceiro lugar e fora da campanha no segundo turno, o que seria, para os tucanos, uma derrota pior que todas as outras desde 2002.
Para o PT, a recíproca, no caso, também é verdadeira. Para o QG da campanha petista, o cenário ideal – fora a hipotética vitória em primeiro turno, cada vez menos realista – é enfrentar Aécio Neves numa segunda votação.
Os petistas sempre estiveram convencidos de que, num segundo turno, a maioria dos parlamentares, dirigentes e eleitores do PSB não serão capazes de abandonar a própria história para votar no PSDB, que sempre denunciaram como partido conservador, e farão o caminho de volta para uma aliança com o PT. Era com essa possibilidade que Dilma e Lula sempre trabalharam nos últimos meses. Evitaram atitudes hostis e indelicadas, reservado a artilharia mais pesada para Aécio. Qualquer mudança, neste horizonte, irá atrapalhar os planos de Dilma.
E é por isso que nossos conservadores já apostam em Marina.

Nessas eleições, a direita reservou ao PT O pão que o diabo amassou...



Nessas eleições, a direita reservou ao PT O pão que o diabo amassou
Candidatura do maior partido do País nas eleições para o governo de São Paulo será excluída dos debates televisionados. Fundo partidário da legenda, o maior repasse dentre todas, pode ser cortado, de maneira inédita, em plena eleição. Bem-vindos ao mundo dos preteridos
O Partido dos Trabalhadores está passando por uma experiência inédita. Pelo menos para ele.
Ocorre que, pela segunda vez, os técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomendaram aos ministros que desaprovem as contas prestadas pelo partido relativas ao ano de 2008. A alegação é a de que há irregularidades na aplicação do Fundo Partidário. O PT recebe cerca de R$4 milhões por mês e pode deixar de contar com esses recursos durante toda a campanha eleitoral.
A decisão é inédita não só porque afeta o PT, mas porque a apreciação das contas dos partidos não é, de praxe, feita simultaneamente à realização das eleições. Trata-se de uma exceção, cujos efeitos podem atingir também outras legendas. Bloquear recursos para o PT, nesse sentido, cumpre uma dupla função: ajuda a paralisar o partido em plena disputa eleitoral e serve de cobertura para o ataque a um pequeno, mas contundente, partido oposição, como é o caso do PCO, que recebe cerca de 100 vezes menos recursos do Fundo Partidário do que o PT.
De joelhos, a direção do PT se humilha diante da Globo
Não é só pelos R$4 milhões.
No final da semana passada, o PT enviou carta à Rede Globo de televisão questionando o critério adotado pela emissora para excluir o candidato Alexandre Padilha da cobertura diária da campanha eleitoral.
A Globo estabeleceu que só vai acompanhar diariamente a agenda dos candidatos que tiverem mais de 6% nas pesquisas do Ibope e do Datafolha. Com apenas 5% na pesquisa realizada em julho, Padilha está fora da grade diária de imagens e comentários nos telejornais da emissora mais poderosa do País. Apenas Geraldo Alckmin do PSDB e Paulo Skaf do PMDB obtém cobertura todos os dias.
Na carta, o presidente estadual do PT, Emídio de Souza, reivindica que a direção da Globo reavalie sua decisão diante de que a margem de erro das pesquisas é de 2 a 3 pontos percentuais para mais ou para menos e que Padilha teria, portanto, até 8% de intenção de votos.
Diz o presidente estadual da legenda:
Ciente de que a emissora obedece critérios de isonomia e oferece oportunidade para a participação de todos os candidatos, em sintonia com o processo democrático e que deve ser sempre celebrado, me posiciono fortemente contra as regras enviadas, pois avalio que as mesmas vão de encontro à premissa apresentada”.
Para participar da “festa da democracia”, o PT recorre à bajulação.
Diante disso, solicito a essa emissora que reavalie sua posição, visto que tais critérios podem incorrer em injustiça com o candidato em questão, bem como prejudicar o processo democrático da eleição e o direito assegurado aos cidadãos pela Constituição de garantia de informações de forma transparente e igualitária”.

O PT não enfrenta a direita e paga o preço por sua capitulação
E assim o maior partido do país rende tributos ao monopólio capitalista da comunicação. E o PT paga o preço por sua adaptação ao regime político burguês e aos ditames da direita pró-imperialista, dentro e fora do Estado.
Justamente por ter forçado o partido à capitulação e à adaptação ao regime político que é uma continuação da Ditadura Militar, a direção do PT criou as condições para um ataque que pode ser desastroso para suas candidaturas, particularmente ali onde a situação da direita unificada no PSDB é especialmente delicada.
A tentativa de anular o PT nas eleições é um dos poucos trunfos que resta ao PSDB e à direita. Enfrentando uma enorme rejeição popular ao governador Geraldo Alckmin e tendo lançado mão de uma segunda candidatura para dividir o eleitorado do PT, a de Paulo Skaf, a direita conservadora e pró-imperialista se agarra ao poder desesperadamente. Uma derrota para o PSDB no estado mais importante do País será devastadora para o partido e pode forçá-lo a uma reformulação completa se quiser continuar a ocupar a vaga de postulante ao poder.
O PT está sendo vítima das armadilhas do regime “democrático”, no qual a lei é “para todos” apenas no papel, porque é aplicada de acordo com a conveniência dos que efetivamente detém o poder no País.

O pão nosso de cada dia

Nosso partido conhece de perto as dificuldades que estão sendo impostas ao PT, mas por um motivo diferente.
Somos um partido e representamos uma opinião ainda minoritária no País. Não temos à nossa disposição a enorme massa de recursos de que o PT disfruta. Não obtivemos o que temos por ter cedido à direita, por ter abandonado posições e a independência de classe da classe operária. Trata-se do exato oposto. O Partido da Causa Operária jamais abriu mão da defesa da independência de classe para o operariado, da necessidade de se construir um partido operário, revolucionário e socialista. Por esse mesmo motivo, a corrente Causa Operária, que fundou junto a outras o PT, foi expulsa do partido que hoje governa o País, logo depois da primeira eleição presidencial disputada por Lula em 1989. Lutávamos à época contra a política de colaboração de classes imposta por Lula e seus aliados ao partido, e que abriu o caminho já naquela época para o que se desenvolveu durante toda a década de 90 e culminou na ascensão do PT ao governo apoiado por todo um setor da burguesia brasileira e com o aval do imperialismo mundial.
Nosso combativo partido enfrenta desde sempre todas as dificuldades impostas pelos que detém a maioria, seja nos sindicatos controlados pelo PT e outros partidos de esquerda que fazem parte da burocracia sindical, seja no Estado, que estabelece uma relação de controle do regime político sobre os partidos, impedindo um funcionamento realmente democrático.
Conhecemos de perto a recusa burocrática da prestação de contas, e o consequente bloqueio dos recursos e contas do partido. Não baixamos a cabeça. Nosso partido não depende da verba estatal. Pelo contrário, se apoia na colaboração de seus militantes, filiados e simpatizantes, em atividades e campanhas financeiras próprias.
Ocorreu com nosso partido uma intervenção estatal no meio das eleições muito pior do que a recusa das contas do PT agora. Nossa candidatura presidencial, do companheiro Rui Costa Pimenta, foi impugnada no meio das eleições de 2006. Um processo que foi uma verdadeira aberração jurídica levou à recusa das contas do partido por uma diferença irrisória, de centavos, e, embora tenha mantido o nome do nosso candidato na urna, não deu ao partido a oportunidade de conhecer sequer a sua votação no final do primeiro turno.
Somos preteridos pela cobertura da imprensa burguesa. Deixados de lado com a desculpa de que não há espaço para as candidaturas dos chamados “nanicos”, uma operação que mistura partidos absolutamente diferentes como o nosso, por um lado, e uma legenda de aluguel da direita, como o PRTB, do outro. Não dependemos dessa cobertura. O partido atua desde sua criação para constituir uma imprensa própria, ter seus próprios meios para chegar à população trabalhadora, à juventude etc

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Apoio ao pedido da Comissão de Ética para o vereador Marcelo Arar



Companheiros,

             Nós, da Vertente Sindical Petista, corrente interna do PT/RJ, vimos de público hipotecar total e irrestrito apoio ao requerimento de Comissão de ética para o vereador Marcelo Arar solicitado pelos companheiros Ricardo Quiroga (Membro do Diretório Municipal) e Renam Brandão (Membro do Diretório Regional), pois assim como esses companheiros consideramos totalmente antiética e antipartidária a atitude do senhor vereador. Acreditamos que com este tipo de atitude estamos lutando para que o nosso Partido resgate as suas origens política/ideológica.

Saudações Petistas


Visite nossa página: www.vertentesindicalpetista.com.br

De: ped-rj-2013@googlegroups.com [mailto:ped-rj-2013@googlegroups.com]
Enviada em: segunda-feira, 4 de agosto de 2014 23:47
Para: sorg@dmptrio.org.br; Bob Calazans; DIRETÓ RIO MUNICIPAL PT - RIO
Cc: Zonal1 PT; Núcleo PT LM; nedersader@googlegroups.com; ped-rj-2013@googlegroups.com
Assunto: Requerimento de Comissão de Ética para o vereador Marcelo Arar

Rio de Janeiro, 04 de agosto de 2014.


Ao Diretório Municipal, Presidente da Executiva Municipal e Secretário de Organização,

Requeremos por meio desta carta a convocação da Comissão de Ética da instância para apurar a conduta do filiado, neste momento; vereador Marcelo Arar.

Conforme divulgado pela imprensa, o referido vereador agrediu um manifestante durante um ato organizado pela FIERJ em defesa do Estado de Israel e da paz (sic). Essa agressão ocorreu pelo fato de o manifestante estar portando um cartaz criticando a ocupação israelense na Faixa de Gaza. Para além do fato de uma agressão por si já ser reprovável, e o vereador reconhece ter pelo menos rasgado o cartaz, embora negue ofensas físicas, a situação é agravada pelo teor geral da manifestação e da postura política em relação à política genocida do Estado de Israel.

A defesa acrítica da política de Israel, tratando a resistência palestina à ocupação ilegal como mero terrorismo e ignorando o massacre de civis, inclusive crianças, está em desacordo completo com a política internacional histórica do Partido dos Trabalhadores e inclusive com a posição oficial do nosso governo federal. Destaque-se que esta posição corajosa foi apoiada e seguida por praticamente todos os países do mundo.

Nesse sentido, é inadmissível a postura e atuação do vereador, que além de tudo é figura pública e detentor de mandato que pertence ao partido e deve se submeter à sua posição ideológica.

Diante disso e considerando o novo Código de Ética e o Estatuto partidário, solicitamos que o filiado Marcelo Arar seja submetido à Comissão de Ética.

Saudações petistas,

Ricardo Quiroga Vinhas
Membro do Diretório Municipal

Renam Brandão
Membro do Diretório Regional