Nessas eleições, a
direita reservou ao PT O pão que o diabo
amassou
Candidatura do maior
partido do País nas eleições para o governo de São Paulo será excluída dos
debates televisionados. Fundo partidário da legenda, o maior repasse dentre
todas, pode ser cortado, de maneira inédita, em plena eleição. Bem-vindos ao
mundo dos preteridos
O Partido dos Trabalhadores está
passando por uma experiência inédita. Pelo menos para ele.
Ocorre que, pela segunda vez, os
técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomendaram aos ministros que
desaprovem as contas prestadas pelo partido relativas ao ano de 2008. A
alegação é a de que há irregularidades na aplicação do Fundo Partidário. O PT
recebe cerca de R$4 milhões por mês e pode deixar de contar com esses recursos
durante toda a campanha eleitoral.
A decisão é inédita não só porque
afeta o PT, mas porque a apreciação das contas dos partidos não é, de praxe,
feita simultaneamente à realização das eleições. Trata-se de uma exceção, cujos
efeitos podem atingir também outras legendas. Bloquear recursos para o PT,
nesse sentido, cumpre uma dupla função: ajuda a paralisar o partido em plena
disputa eleitoral e serve de cobertura para o ataque a um pequeno, mas
contundente, partido oposição, como é o caso do PCO, que recebe cerca de 100
vezes menos recursos do Fundo Partidário do que o PT.
De joelhos, a direção do
PT se humilha diante da Globo
Não é só pelos R$4 milhões.
No final da semana passada, o PT
enviou carta à Rede Globo de televisão questionando o critério adotado pela
emissora para excluir o candidato Alexandre Padilha da cobertura diária da
campanha eleitoral.
A Globo estabeleceu que só vai
acompanhar diariamente a agenda dos candidatos que tiverem mais de 6% nas
pesquisas do Ibope e do Datafolha. Com apenas 5% na pesquisa realizada em
julho, Padilha está fora da grade diária de imagens e comentários nos
telejornais da emissora mais poderosa do País. Apenas Geraldo Alckmin do PSDB e
Paulo Skaf do PMDB obtém cobertura todos os dias.
Na carta, o presidente estadual
do PT, Emídio de Souza, reivindica que a direção da Globo reavalie sua decisão
diante de que a margem de erro das pesquisas é de 2 a 3 pontos percentuais para
mais ou para menos e que Padilha teria, portanto, até 8% de intenção de votos.
Diz o presidente estadual da
legenda:
“Ciente de que a emissora
obedece critérios de isonomia e oferece oportunidade para a participação de
todos os candidatos, em sintonia com o processo democrático e que deve ser
sempre celebrado, me posiciono fortemente contra as regras enviadas, pois
avalio que as mesmas vão de encontro à premissa apresentada”.
Para participar da “festa da
democracia”, o PT recorre à bajulação.
“Diante disso, solicito a
essa emissora que reavalie sua posição, visto que tais critérios podem incorrer
em injustiça com o candidato em questão, bem como prejudicar o processo democrático
da eleição e o direito assegurado aos cidadãos pela Constituição de garantia de
informações de forma transparente e igualitária”.
O PT não enfrenta a
direita e paga o preço por sua capitulação
E assim o maior partido do país
rende tributos ao monopólio capitalista da comunicação. E o PT paga o preço por
sua adaptação ao regime político burguês e aos ditames da direita
pró-imperialista, dentro e fora do Estado.
Justamente por ter forçado o
partido à capitulação e à adaptação ao regime político que é uma continuação da
Ditadura Militar, a direção do PT criou as condições para um ataque que pode
ser desastroso para suas candidaturas, particularmente ali onde a situação da
direita unificada no PSDB é especialmente delicada.
A tentativa de anular o PT nas
eleições é um dos poucos trunfos que resta ao PSDB e à direita. Enfrentando uma
enorme rejeição popular ao governador Geraldo Alckmin e tendo lançado mão de
uma segunda candidatura para dividir o eleitorado do PT, a de Paulo Skaf, a
direita conservadora e pró-imperialista se agarra ao poder desesperadamente.
Uma derrota para o PSDB no estado mais importante do País será devastadora para
o partido e pode forçá-lo a uma reformulação completa se quiser continuar a
ocupar a vaga de postulante ao poder.
O PT está sendo vítima
das armadilhas do regime “democrático”, no qual a lei é “para todos” apenas no
papel, porque é aplicada de acordo com a conveniência dos que efetivamente
detém o poder no País.
O pão nosso de cada dia
Nosso partido conhece de perto as
dificuldades que estão sendo impostas ao PT, mas por um motivo diferente.
Somos um partido e representamos
uma opinião ainda minoritária no País. Não temos à nossa disposição a enorme
massa de recursos de que o PT disfruta. Não obtivemos o que temos por ter
cedido à direita, por ter abandonado posições e a independência de classe da
classe operária. Trata-se do exato oposto. O Partido da Causa Operária jamais
abriu mão da defesa da independência de classe para o operariado, da
necessidade de se construir um partido operário, revolucionário e socialista.
Por esse mesmo motivo, a corrente Causa Operária, que fundou junto a outras o
PT, foi expulsa do partido que hoje governa o País, logo depois da primeira
eleição presidencial disputada por Lula em 1989. Lutávamos à época contra a
política de colaboração de classes imposta por Lula e seus aliados ao partido,
e que abriu o caminho já naquela época para o que se desenvolveu durante toda a
década de 90 e culminou na ascensão do PT ao governo apoiado por todo um setor
da burguesia brasileira e com o aval do imperialismo mundial.
Nosso combativo partido enfrenta
desde sempre todas as dificuldades impostas pelos que detém a maioria, seja nos
sindicatos controlados pelo PT e outros partidos de esquerda que fazem parte da
burocracia sindical, seja no Estado, que estabelece uma relação de controle do
regime político sobre os partidos, impedindo um funcionamento realmente
democrático.
Conhecemos de perto a recusa
burocrática da prestação de contas, e o consequente bloqueio dos recursos e
contas do partido. Não baixamos a cabeça. Nosso partido não depende da verba
estatal. Pelo contrário, se apoia na colaboração de seus militantes, filiados e
simpatizantes, em atividades e campanhas financeiras próprias.
Ocorreu com nosso partido uma
intervenção estatal no meio das eleições muito pior do que a recusa das contas
do PT agora. Nossa candidatura presidencial, do companheiro Rui Costa Pimenta,
foi impugnada no meio das eleições de 2006. Um processo que foi uma verdadeira
aberração jurídica levou à recusa das contas do partido por uma diferença
irrisória, de centavos, e, embora tenha mantido o nome do nosso candidato na
urna, não deu ao partido a oportunidade de conhecer sequer a sua votação no
final do primeiro turno.
Somos preteridos pela cobertura
da imprensa burguesa. Deixados de lado com a desculpa de que não há espaço para
as candidaturas dos chamados “nanicos”, uma operação que mistura partidos
absolutamente diferentes como o nosso, por um lado, e uma legenda de aluguel da
direita, como o PRTB, do outro. Não dependemos dessa cobertura. O partido atua
desde sua criação para constituir uma imprensa própria, ter seus próprios meios
para chegar à população trabalhadora, à juventude etc
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