Denúncia contra Lula na Lava Jato usa dados de delação
cancelada
Folha de S.Paulo 18/09/2016
A denúncia da força-tarefa da Operação Lava Jato contra o
ex-presidente Lula, apresentada na última quarta (14), contém uma informação
que só aparece no esboço da delação premiada do empresário Léo Pinheiro, que
foi recusada pela Procuradoria-Geral da República.
Foi Pinheiro, sócio da OAS, quem disse que a empreiteira
descontava os repasses que fez para o apartamento tríplex do Guarujá de uma
espécie de conta-corrente que a empresa mantinha com o PT, usada para pagar
propina da Petrobras.
No documento que fez para negociar o acordo de delação premiada,
Pinheiro, sócio da OAS que já foi condenado a 16 anos de prisão, dizia:
"Ficou acertado com [João] Vaccari que esse apartamento seria abatido dos
créditos que o PT tinha a receber por conta de propinas em obras da OAS na
Petrobras".
Um esboço do documento foi divulgado pela revista "Veja"
em agosto.
Resposta
Os procuradores da Lava Jato em Curitiba não quiseram comentar
qual a fonte da acusação segunda a qual a propina de Lula era descontada.
A reportagem enviou mensagens para Deltan Dallagnol e Roberson
Pozzobon, mas não obteve respostas.
A assessoria de imprensa do Ministério Público Federal afirmou que
os procuradores não atenderam jornalistas nesta semana e não abririam uma
exceção à reportagem.
A defesa do ex-presidente Lula diz que não há prova alguma de que
ele tenha sido beneficiado por desvios da Petrobras.
Os advogados também negam que o tríplex seja ou tenha sido do
ex-presidente.
Vertente Sindical Petista
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